Resenha Histórica

Sobre o passado remoto de Vila Nova do Ceira, nomeadamente os seus primeiros séculos - como acontece, de resto com todas as freguesias do concelho de Góis -, devido à própria situação num território que carece talvez em absoluto de documentação anterior à nacionalidade ou ao século XII, nada se pode afirmar com rigor histórico. De acordo com a "Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira", apenas "a toponímia poderia dar alguma elucidação sobre a antiguidade de povoamento local, mas acresce àquela circunstância negativa a não menos negativa do topo-onomástico local, apesar de abundante e de se tratar de localidade populosa. 
 
No entanto, há algumas espécies toponímicas que, sem se poderem afirmar, positivamente, anteriores à nacionalidade, lançam a possibilidade de certo povoamento pré-nacional que só um documento negativo, que não deve existir, pode invalidar." 
Assim o nome de lugar Inviando, que é precisamente a forma romance do nome pessoal medievo, muito usado antes do século XII, "Invenandu(s)". Sacões e Rojão poderão ter origem gernâmica, muito anterior à nacionalidade. Telhada deverá ter sentido arqueológico, aludindo a um arcaico forno de telha ou local onde apareciam telhas; Vale de Oleiros contém no seu segundo termo a possibilidade manifesta desse facto. Cabril, topónimo referente a fauna extinta destas montanhas, a cabra selvagem, e por isso de evidente antiguidade. Jurzais, sem dúvida alusivo à cultura antiga da cevada, arcaico "orjo". Campelo e Passô importam ser índices de medievismo. 
 
S. Silvestre é um hagiotopónimo notável e antigo. 
Interessante é também o nome do lugar e antiga freguesia de Chapinheira. O topónimo Várzea, finalmente, é notável por ter denominado esta freguesia até tempos recentes (ainda nos finais do século XIX se chamava Várzea de Góis). 
 
A antiguidade abonada, de certo modo indesmentivelmente, pela toponímia, cuja observação postula e dos habitantes, não está de acordo com o despovoamento alegado para a vizinha freguesia de Góis pelos linhagistas medievos ao falarem do célebre D. Anião da Estrada, D. Anião ou Anaia, que é o rico-homem teresiano-afonsino Anaia Vestruariz, a quem foi doada Góis; mas é natural a aceitação de um despovoamento, não total mas bastante acentuado, desde Góis a esta freguesia, muito longe ainda, evidentemente, de como tal ser instituída. 
Em todo o caso, o culto local a S. Pedro deve considerar-se muito remoto, existindo já a paróquia de S. Pedro da Várzea, ao que parece, do século XIII para o século XIV, mercê do repovoamento operado nos primeiros tempos da nacionalidade a que a toponímia faz algumas alusões mais ou menos evidentes: Campelo, Jurzais, Vale de Egas, Carapinhal, Cerejeira, Monteira, etc., para só se citarem alguns casos que parecem bem expressivos sem particular explicação (a não ser Cerejeira, que pode vir de "Cerzeira", arcaico). 
 
A freguesia de Chapinheira foi extinta pelos meados do século XVIII e reunida à de Várzea (de que, por certo, já se havia anteriormente desmembrado), de modo que a freguesia foi muito tempo denominada "Várzea de Góis e Chapinheira". 
 
A Igreja de S. Pedro era da apresentação dos condes de Vila Nova de Portimão (marqueses de Abrantes, depois), que nomeavam o vigário, com uns 60 mil réis de renda anual, do século XVIII para o século XIX. O tempo, pela sua incapacidade e antiguidade, foi restaurado em 1881, pelo povo, com a participação do estado, que recorreu, para isso, ao "cofre das bulas". 
Administrativa e senhorialmente, a freguesia de Vila Nova do Ceira parece ter sido sempre sujeita a Góis.